Especial Batman: a história do cavaleiro das trevas nos videogames

Nesta terça feira, milhares de pessoas irão se acotovelar nas lojas dos EUA para um dos lançamentos mais importantes do ano – e não estamos falando de um novo gadget da Apple: dia 18 de outubro será marcado como a data em que Batman espreitará novamente nos consoles com um novo game, Arkham City, sequência do popular Batman Arkham Asylum, lançado em 2009.

O jogo tem tudo para ser um dos grandes de 2011. Porém, vale lembrar que este sucesso do homem morcego nos games não é um fenômeno recente: ao contrário de outros super heróis, o cavaleiro das trevas sempre teve uma carreira sólida nos consoles. Claro que houveram deslizes no caminho, mas no geral as empresas que licenciaram a imagem do Batman fizeram um bom trabalho de caracterização do personagem na mídia eletrônica.

Por isso, vamos relembrar a trajetória do personagem nos games, ressaltando os melhores momentos – e também alguns tropeços – do herói diante dos joysticks.

Santa estréia, Batman! 

Batman chegou aos videogames 47 anos após Bob Kane e Bill Finger terem publicado o personagem pela primeira vez na edição 27 da revista Detective Comics. O primeiro game do vigilante de Gotham foi lançado em 1986 pela Ocean para computadores ZX Spectrum,Amstrad e no saudoso MSX.

Neste game de perspectiva isométrica (que simulava um ambiente tridimensional), o herói explorava a Batcaverna para juntar as partes de um hovercraft para poder salvar o ajudante Robin, que havia sido seqüestrado. Apesar do enredo absurdo (você imagina um personagem metódico como Batman perdendo alguma coisa, e dentro da sua própria casa?), o jogo tinha mecânicas interessantes, como um sistema de checkpoints baseado na coleta de bat-pedras (nos anos 80, qualquer coisa com “bat” no nome poderia virar equipamento do homem morcego) e foi aclamado pela crítica da época.

Com o sucesso do primeiro game, o personagem ganhou outro título para as mesmas plataformas dois anos depois: Batman: The Caped Crusader chegou aos computadores domésticos de oito bits em 1988, sendo distribuído em discos removíveis e fitas cassete.

The Caped Crusader contava a história através de painéis animados, como em uma história em quadrinhos, colocando o personagem contra dois de seus maiores inimigos: o Pinguim e o Coringa. Porém, o jogo enfatizava labirintos e resolução de quebra-cabeças, decepcionando jogadores que desejavam quebrar cabeças de forma literal, já que o foco da aventura não era bater nos bandidos.

Pegando carona no cinema 

Em 1989 o diretor Tim Burton levou para as telas a primeira adaptação convincente do homem morcego, já que o filme de 1966 adotava a estética “campy” do seriado de TV estrelado por Adam West e Burt Ward. O filme marcou uma geração, e logicamente foi adaptado para os games.

Porém, ao contrário da maioria dos jogos licenciados, Batman era um game divertido noNintendinho, seguindo com competência o formato de franquias estabelecidas como Ninja Gaiden, mas trocando shurikens por batrangs. Dois anos depois, este game ganhou uma sequência chamada Return of the Joker, desta vez contando uma história original, sem ligação com o filme estrelado por Michael Keaton.

Batman das telonas também teve versões para Mega Drive, aclamada pelos seus gráficos, e para os arcades em 1990 – uma época em que os jogos de luta ainda não dominavam os fliperamas, e era possível ver games de progressão lateral comendo fichas dos freqüentadores destes locais.

Outras adaptações do primeiro filme também foram feitas para diversos computadores de oito e 16 bits da época, como o PC Engine, que transformou Batman em uma espécie de Pac Man ao colocá-lo percorrendo labirintos com visão de cima atrás de itens para passar de fase.

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Em 1992 o personagem voltou aos cinemas com Batman Returns, que também chegou aos consoles com sucesso, apesar de não contar com a sensualidade da mulher gato interpretada por Michelle Pfeiffer.

Nos videogames da Sega, o game (feito pela própria fabricante) era um jogo de plataforma. Nos consoles da Nintendo, o game foi desenvolvido pela Konami e contou com elementos de beat’em ups como o popular Final Fight. O jogo também saiu para o Lynx, o portátil obscuro da Atari, lançado quando a empresa tentou retornar ao mercado de consoles no começo da década de 90.

Forever Alone 

Porém, a qualidade dos games do homem morcego declinou conforme a franquia cinematográfica perdeu força. As adaptações de Batman Forever para Snes e Mega Driveeram tão estranhas quanto o filme que originou o game.

Com gráficos digitalizados e uma jogabilidade semelhante a Mortal Kombat, o game desenvolvido pela Acclaim (que, não por acaso, era responsável pelos ports de MKpara consoles) tinha fases sem graça e inimigos esquisitos. Era possível jogar como Batman ou Robin, mas só tendo uma super paciência para levar os personagens ao final do game, que ainda por cima era mal programado: apesar de ser em cartucho, o jogo apresentava telas de Loading.

Batman Forever também foi adaptado para Game Boy Game Gear, além de ganhar uma versão carnavalesca para PC, Playstation e Sega Saturno chamada Batman Forever Arcade, que tinha uma pegada mais beat’em up e menos mano a mano.

Em 1997, Batman e Robin foi lançado para Playstation e Game Cube, mas ao contrário do filme homônimo, conseguiu sucesso comercial nestes consoles apostando em um formato relativamente inovador para a época de seu lançamento: controlando Batman, Robin ou a Batgirl, você explorava Gotham em busca de pistas para impedir crimes dos vilões do filme.

A mais recente adaptação cinematográfica do homem morcego saiu há seis anos, em 2005, já depois do reboot hollywoodiano: Batman Begins saiu para Xbox, Game Cube e PS2, com ports diferenciados para Game Boy Advance e telefones celulares. Porém, ao contrário do que aconteceu na telona, Begins conseguiu menos sucesso do que Batman e Robin por ser linear. Mesmo assim, o jogo tinha méritos: os gráficos eram muito bons, e a história expandia o enredo do filme, mostrando a motivação por trás de algumas ações que foram exibidas apenas brevemente no cinema.

Um game de Dark Knight foi anunciado extra oficialmente para 2007. O game seria desenvolvido pelo Pandemic Studios para o PS3 e apresentaria o personagem explorando Gotham apresentada como um mundo aberto (conceito semelhante ao de Arkham City, aliás), mas o jogo acabou cancelado. Uma pena, pois o filme Cavaleiro das Trevas possui elementos que dariam um ótimo game, mesmo que outro ator tivesse que dublar o vilão Coringa, interpretado no cinema pelo falecido Heath Ledger.

 Animação Noir 

Como pudemos ver, as adaptações cinematográficas do cavaleiro das trevas tiveram altos e baixos – assim como os próprios filmes. Porém, nas séries animadas o homem morcego sempre foi recebido de asas abertas. Uma destas animações, em particular, foi extremamente importante para o estabelecimento de Batman como uma franquia fora dos quadrinhos: graças ao esforço do artista Bruce Timm, Batman- the Animated Series se tornou um sucesso mundial e inspirou vários jogos de videogames excelentes.

O primeiro deles foi batizado de Batman:the Animated Series, tal qual o programa de tevê. Desenvolvido pela Konami e lançado para Game Boy em 1993, era um grande jogo de plataforma, apesar da pequena tela do console portáril. No ano seguinte, saiu The Adventures for Batman and Robin. No Mega Drive, o game lembrava o clássico Contra tanto no estilo run and gun quanto na dificuldade. Felizmente, um segundo jogador poderia dar uma mãozinha contra os muitos inimigos do game.

No Snes, não haviam multiplayer cooperativo, mas o jogo era muito mais bonito graficamente, além de seguir de forma mais fiel o enredo do desenho, já que cada fase era baseada em um episódio do desenho animado, fazendo este um dos melhores games com o personagem até hoje.

No Sega CD, o game virou um jogo de combate veicular, onde você pilotava o Batmóvel e pelas ruas de Gotham. Transformar Batman em motorista deixou de lado muito do potencial do personagem, mas o jogo ao menos tinha bons segmentos de animação entre as fases, totalizando 16 minutos de cutscenes inéditas, feita pelo mesmo estúdio que produziu alguns episódios do desenho.

Dando um salto no tempo, no ano 2000 saiu um game estrelado pelo Batman do Futuro, Terry McGinnys. O jogo Batman Beyond: Return of the Joker foi lançado no vácuo do filme de mesmo nome para N64, Playstation e GameBoy Color. Apesar da mudança de de protagonista, o jogo era interessante pois colocava a disposição do novo herói um arsenal de armaduras futuristas, que ampliavam suas capacidades de várias formas diferentes: havia roupa que dava mais força, outra que conferia mais agilidade, saltos mais altos etc, permitindo que o jogador escolhesse o equipamento mais adequado antes de cada estágio começar.

Um ano depois, outro game baseado nos desenhos chegou no Game Boy Color, mas desta vez com a estética da série animada original. Batman: Chaos in Gotham tinha uma premissa semelhante a Arkham City, com detentos escapando do manicômio e deixando a cidade sitiada.

No mesmo ano, o Playstation recebeu Gotham City Racer, um jogo de corrida baseado em perseguições onde era possível controlar Batman, Robin, Batgirl e outros 23 personagens, como o Coringa, Mr. Freeze e Killer Croc. Infelizmente, este game ficou devendo no acabamento, e acabou encalhando nas prateleiras – nem as cutscenes animadas salvaramGCR do esquecimento.

A primeira série animada criada por Bruce Timm já havia encerrado em 1995, e ainda inspirou jogos anos depois. Mas em 2001 os consoles da sexta geração de videogames receberam um jogo baseado na nova animação do homem morcego: Batman: Vengeance, que seguia a estética de The New Batman Adventures, um desenho que também tinha Timm na equipe criativa, mas que atualizava os visuais dos personagens e dava um foco maior para os coadjuvantes da “família Batman”.

O jogo era interessante, tinha bons gráficos, respeitava a identidade visual do desenho e ainda utilizava mecânicas criativas, como a visão em primeira pessoa para mirar itens especiais como o batgancho, mas mesmo assim a recepção do jogo foi morna.

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Voltando aos jogos originais 

Depois de uma boa quantidade de jogos baseados em filmes e séries de TV, o cavaleiro das trevas voltou a ter um jogo original em 2003 com Batman: Dark Tomorrow, lançando paraGame Cube Xbox. Porém, o jogo foi tão mal recebido quanto o filme do Joel Schumacher: apesar da história interessante e das animações convincentes, o jogo foi bombardeado pela crítica por conta da jogabilidade desconfortável e missões repetitivas.

Depois das pesadas críticas de Dark Tomorrow, a franquia Batman se voltou para a sua fonte de inspiração mais duradoura: as animações de Bruce Timm, que desta vez contou com uma parceria de peso: o artista Jim Lee, que criou o vilão que deu o título ao game Batman: Rise of Sin Tzu. O jogo não tinha nada de extraordinário – era um Beat’em Up onde você podia jogar com Batman, Robin, Batgirl e até Asa Noturna.

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Para alavancar a popularidade do game, uma HQ foi lançada apresentando o personagem Sin Tzu para o público, mas nem assim ele conseguiu se destacar diante da extensa galeria de inimigos de Batman, o que fez com que o jogo passasse relativamente despercebido.

Após este game, as adaptações de desenhos do homem morcego davam sinais de desgaste. Felizmente o reboot cinematográfico forneceu um novo material de referência para os games, que resultou no lançamento de Batman Begins para os consoles, portáteis e celulares de 2005. Com gráficos de primeira e boa dublagem, o jogo agradou os fãs, apesar da linearidade.

Três anos depois, o cavaleiro das trevas ganhou mais um game, desta vez colorido e engraçado, contrariando a costumeira atmosfera dark de todos os anteriores: Lego Batmancolocou o personagem num universo feito de blocos de montar, fazendo com que a franquia seguisse os passos de outras séries de sucesso como Guerra nas Estrelas e Indiana Jones.

Mas não demorou para as trevas voltarem a ser o lar do homem morcego, pois em 2009 foi lançada aquela que é, até hoje, a melhor adaptação de um personagem de quadrinhos para os videogames: Batman: Arkham Asylum saiu para PS3Xbox e PCs, apresentando um sistema de combate cinematográfico (o Free Flow) e uma mistura perfeita de ação, exploração, e furtividade. Nenhum jogo explorou tão bem todas as facetas do personagem: víamos o Batman derrubando bandidos, se esgueirando nas sombras, balançando pelo cenário e até analizando pistas, já que até o aspecto do detetivesco do personagem foi levado em consideração.

Wii também teve seu jogo do Batman, mas adequado ao seu público alvo: em vez da atmosfera sombria do asilo, os donos do console da Nintendo receberam um game baseado na série de TV “Os Bravos e Destemidos”: Batman: The Brave and the Bold – The Videogame é um dos jogos menos sérios do personagem (talvez perca apenas para Lego Batman…), resgatando a atmosfera despretensiosa dos quadrinhos da era de prata. O jogo também ganhou um port para o DS, mas, mesmo sendo divertido, empalidecia diante do impacto cultural causado por Arkham Asylum meses antes.

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Outros títulos com o vigilante de Gotham 

Nem sempre o detetive mais famoso dos quadrinhos resolveu os seus problemas na base da violência: dois softwares educativos (Unbound Justice e Toxic Chill) com o personagem foram lançados para os computadores em 2003, tendo como alvo um público de crianças de sete a 10 anos. O homem morcego também foi licenciado em inúmeros jogos para plataformas móveis, como o shooter Guardian of Gotham, disponível para donos de celulares desde 2010.

Além de seus próprios jogos, o cavaleiro das trevas também participou de aventuras em outros títulos da DC comics nos videogames, como Justice League Heroes, lançado nos videogames da geração passada, e DC Universe On Line, onde ele é um dos mentores de uma nova geração de heróis.

O futuro do morcego 

Um personagem popular como Batman nunca fica muito tempo sem dar as caras nos consoles, por isso, outro jogo de Batman já está em produção: Gotham City Impostors, que pega uma idéia interessante do último filme do homem morcego (a dos falsos Batmans) e extrapola este conceito para povoar Gotham com uma série de justiceiros mascarados lutando contra os bandidos das ruas.

Com uma visão em primeira pessoa, este novo jogo deverá trazer elementos de Call of Dutypara a franquia Batman – uma união que tem tudo para dar certo, se considerarmos a popularidade do personagem e dos jogos de tiro multiplayers na internet. Gotham CityImpostors está previsto para o primeiro quadrimestre de 2012, e felizmente teremos como passar o tempo até o seu lançamento jogando Arkham City.

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Fonte: Techtudo

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GamePlay e montagens de jogos

Publicado em 18/10/2011, em Noticias e marcado como , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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